27 outubro 2009

A arma mais eficaz

Há já algum tempo que admiro incondicionalmente o trabalho do Alan Taylor, no The Big Picture, o blog de fotojornalismo do The Boston Globe. Não é a primeira vez que destaco o The Big Picture e com certeza não será a última.

Não há muitos adjectivos para caracterizar este projecto, as fotos falam por si. Esta pertence ao conjunto sobre o Afeganistão. Esta está, como várias outras, absolutamente fabulosa.

Num mundo onde cada vez há mais máquinas fotográficas e menos fotógrafos, vale muito mas mesmo, mesmo muito a pena seguir o The Big Picture.

26 outubro 2009

Agulhas

Como muitas outras pessoas por esse país fora, acho que esta celeuma toda à volta da gripe A é puro entretenimento. Isto é de tal forma desmesurado que a gripe sazonal deve estar lixada, afinal de contas mata muito mais gente que a A e mediatismo nem vê-lo.

Alguém disse que a religião era o ópio do povo, pois agora por estes meses o ópio tem sido, e ao que tudo indica continuará a ser, a gripe A. Mais ainda quando há uma certa palermice que se instala para dar uma ajuda, como os enfermeiros da Linha Saúde 24 que resolveram fazer birra e uns senhores do PSD que resolveram ser altruístas hipócritas. Porque a vacina ter sido certificada por todas as entidades com legitimidade para o fazerem, ter sido produzida por laboratórios especializados e de ter sido testada até à exaustão, é melhor recusar pois nunca se sabe. Até porque a hipótese de apanhar a gripe e comprometer quer a própria saúde quer o serviço que prestam ao resto do pessoal é absoluto non sense.



Há quem tenha medo de agulhas, eu continuo a achar que a estupidez é bem mais perigosa.

20 outubro 2009

Opiniões de 1ª e de 2ª

Anda tudo louco com as declarações de Saramago. Para que fique claro, não gosto da sua escrita - não me entendo com 2 páginas sem pontos finais - e tenho-lhe um rancorzinho de estimação por achar que exploração espacial é desperdício de dinheiro.

Ainda assim, correndo o risco de ser tão criticada como ele o tem sido nos últimos dias, concordo em pleno com "as Cruzadas são um crime do Cristianismo, porque morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa)."

Tal como ele, acho que "Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos."

Acho também que "Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus."


No que me diz respeito, a relação que cada um tem com a igreja e/ou com Deus, é consigo. Não posso é deixar de reparar que a tolerância, ou falta dela, nesta matéria parece fazer-se só num sentido - podes falar desde que não fales mal.

Curiosa a semelhança com a Lei da Rolha de Rui Rio.

12 outubro 2009

A gente vai continuar

Não há muito a escrever. O meu estado de espírito é igual ao vazio do que há para dizer.

Para alguns, agora é a fase de arranjar bodes expiatórios, culpar os panfletos ou ter esperança hipócrita que as coisas vão mudar como se 8 anos não tivessem sido já suficiente prova de que ficará tudo na mesma. Quando há falta de coragem, de tomates até como se diz no meu Porto, para fazer o que é preciso ser feito, para mudar o que precisa ser mudado, de lutar pelo que se acredita, as desculpas são um consolo.

Créditos a quem de direito, chegou-me esta pequena pérola através da JS Porto.




Há formas e formas de lidar com esta derrota, a minha é fazer um luto, sem desculpas nem consolos, pelo que aconteceu e pelo que vai acontecer. Mas de uma coisa tenho tanta certeza como tenho que o Porto merece melhor que isto que lhe fizeram - enquanto houver estrada pra andar a gente vai continuar.

E sei que o R., o Pedro e a AL estão comigo.

08 outubro 2009

Tripeira até que a morte nos separe

Há 8 anos que estou à espera da oportunidade que vou ter no próximo domingo de tirar o homem que está na Câmara e pôr lá a mulher que quer ocupar aquele lugar.

Há 8 anos que vejo a cidade que me corre nas veias a definhar, a entristecer e, lentamente, a ser abandonada a um deus dará e que, passados 8 anos, não deu absolutamente nada.

O Porto que tenho debaixo da pele é mais do que as marteladas do S. João, a altura da Torre dos Clérigos ou o assédio das vendedeiras do Bolhão. É mais do que janelas da Rua da Fonte Taurina, os paralelos da Rua do Almada, o estádio do Dragão aos berros, a areia da praia do Homem do Leme. É muito mais do que a pata do leão em cima da águia, que o ferro da ponte de D.Maria, que os pináculos da Sé, a porta da igreja dos grilos, o meteorito da Casa da Música, mais que a horrenda Torre das Antas, o edifício transparente, os aviões em Setembro ou as luzes em Dezembro, do que o cheiro das velas do Prado do Repouso, as cores das roupas lavadas a pingar das janelas na Reboleira, o tamanho dos rebites da Ponte D. Luiz, o molho da francesinha, os sinais da sueca no Marquês, o barulho da água na Foz do Douro, a festa de um campeonato do FCP, o frio do nevoeiro ou o sotaque do Norte.

O Porto está velho, está pobre e podre. Está a cair aos bocados e o pouco que sobra de vida latente é escorraçada como um cão vadio ou deixada morrer por inanição. A altivez da cidade esvaiu-se, se alguma coisa resiste é por falta de resignação ou porque alguma história ainda lhe vale.


Há 8 anos que o Porto do único responsável por esta sina não é o meu. O Porto do autor desta miséria resume-se ás resmas de papeis de relatórios, contas e empréstimos, aos vários acórdãos judiciais, aos números dos lotes de bocados de terrenos e às quantias do deve e haver. Resume-se ás birras, aos despeitos e aos alcatrões nas ruas na última hora.

E porque faço parte do Porto e ele parte do que sou, no domingo vou fazer por ele numa cruz o que ele fez por mim a vida toda.

01 outubro 2009

Que vá pela sombra

É o que desejo a José Manuel Fernandes que hoje anunciou a sua saída da direcção do Público. Se foi convidado a sair não se sabe, mas que já vai tarde, vai.



Pode ser que agora o Público ainda vá a tempo de recuperar o estatuto de jornal de referência que tantos anos lhe pertenceu.