05 janeiro 2010

Casamento entre pessoas

A propósito da valente perda de tempo a que 90 mil pessoas estão a obrigar a Assembleia da Républica, apraz-me perguntar, mas não terão estas 90 mil pessoas mais com que se entreter?

O que me surpreende é a hipocrisia latente desta petição, são contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo mas não querem ser os únicos. Fazendo o referendo, e ganhando nitidamente um não como pretendem, sacodem a água do capote e voltam ás suas vidas efémeras e insignificantes.

Quem se quer casar, que se case. Quem quer partilhar contas e cama, que o faça. Quem sou eu, na minha vida efémera e insignificante, para negar a quaisquer duas pessoas as banalidades mais triviais que só fazem sentido se forem partilhadas.



Nota: esta parede, que bem podia ser portuguesa, é de Kuala Lumpur, na Malásia, fortemente islâmica. Que orgulho viver na Europa.

6 comentários:

ana disse...

Todos os dias, quando leio as notícias do que se passa por esse mundo fora, sinto algo parecido: que SORTE ter nascido nesta Europa!

Quanto ao assunto casamento: não acabámos de ter eleições onde esse foi um dos temas discutidos? Wake up and smell the democracy. :)

Fernando disse...

Ganhando como quem diz, pois este será mais 1 dos referendos onde ganha a abstenção (i.e. não será vinculativo).

Pedro Marques disse...

Mais um passo em frente na democracia! Acabou de ser aprovada no parlamento a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Hoje de manhã enquanto tratava de uma cadelita que estava abandonada numa paragem de autocarro em frente ao continente, fui ouvindo o fórum TSF. Infelizmente, ouvi de tudo... desde mentes brilhantemente retrogradas que acham isto tudo muito mal, que argumentavam entre outras coisas uma perda de tempo a discutir "coisas de meia dúzia" e no momento seguinte sugeriam o gasto de alguns milhões para se fazer um referendo que todos sabemos nunca iria ser vinculativo. Outras mentes igualmente brilhantes, acham que o passo é curto (e até pode ser, mas acho que é um princípio) e discriminatório, achando que se pode também passar por cima de tudo e todos de um momento para o outro sem se discutirem consequências das decisões. Pessoalmente ainda não tenho opinião formada acerca da adopção. Apenas sei da dificuldade que é um casal "convencional" tem em adoptar. Vivi isso de perto.
Ainda por outro lado, acho curioso que quem luta pelo casamento com direito a adopção não deixe de ver o acontecimento de hoje como um revés. Enquanto solteiro, qualquer individuo se pode candidatar a adopção... casando, abdica desse direito... enfim!

Bom... foi só um desabafo, não querendo melindrar nem influênciar ninguém.

Maria Joana disse...

"Quem sou eu, na minha vida efémera e insignificante, para negar a quaisquer duas pessoas as banalidades mais triviais que só fazem sentido se forem partilhadas." - Aqui disseste tudo. Esta é a frase com mais sentido que li neste blog.
De facto, quem és tu, na tua vida efémera e insignificante para negar, ou criticar, ou sequer opinar seja o que for??!

Paula disse...

@Maria Joana A frase com mais sentido que leu neste blog é válida tão somente tal como foi escrita - quem sou eu para negar.
Para criticar e/ou opinar sou, com a minha vida, tão permanente e especialmente tão sonora quanto a minha liberdade o permite.

Maria Joana / Amigo(a) do(a) Café Torrado disse...

Que bonito...Quase verti uma lágrima...
E deixares o(a) Café Torrado ter liberdade de expressão também? Parece-me a mim que não lhe soubeste dar uma resposta à altura...