12 janeiro 2007

Argumentos L. casei Imunitass - I

A minha campanha a favor do SIM no referendo sobre a IVG já começou há muito, mas só agora começaram a ser mais visíveis os argumentos de quem defende o contrário.
Sem muita canseira, a cada argumento da campanha do não que encontrar nas ruas, vou fazer um comentário - grande ou pequeno vai depender do quanto tenho a refutar.


Contribuir com os meus impostos para financiar clínicas de aborto?
da Plataforma Não-Obrigada

Da primeira vez que li isto na Av. França perto da Rotunda da Boavista, pensei que fosse brincadeira, até pela forma brejeira como a pergunta é colocada. Mas não era.
Sabendo que pagar impostos é uma obrigação cívica, compete a quem estiver à frente do Governo - constituído com base na eleição, por sufrágio universal, da Assembleia da República - decidir, distribuir e aplicar da forma que entender mais benéfica para o país onde o povo é soberano, exercendo o seu poder no acto eleitoral.
Claro que é complicado agradar a gregos e a troianos, pelo que as decisões, distribuições e aplicações dos impostos nem sempre estão de acordo com as prioridades de cada cidadão.
A pergunta levada a referendo nada tem a ver com o pagamento de impostos que mais parece um ajuste de contas de mercearia. Até porque, se optar pelo caminho de fácil contra-argumentação, os impostos também não deviam ser (a meu ver) usados para os Audis que estão à porta da Câmara Municipal do Porto ou para financiar 10 estádios de futebol para o Euro2004, quando só eram precisos 5.
Mas não estamos a falar de prédios e carros, podem dizer alguns. Ok, passemos à saúde então - pagar transplantes hepáticos, ou até tratamentos, aos que bebem desmesuradamente desde o tempo da queima; tratar de doentes com doenças relaccionadas com o tabaco, desde traqueotomias a cancros do pulmão ou financiar programas de substituição com metadona para os viciados em heroína.
No entanto, acho que qualquer um destes casos - assim como o caso de uma mulher que decide interromper a gravidez - deve ser acompanhado por um serviço de saúde com qualidade e garantias.
Por estas e outras razões, este argumento dos impostos evocado pelos defensores do não é, no mínimo, inútil para não dizer completamente desajustado à questão em debate.

3 comentários:

Bruno da Men disse...

o que é que " Argumentos L. casei Imunitass - I" têm com abortos?

Ou eu sou muito estupído ou então não tás a misturar iogurtes com... (excuse my french)conas?????

Paula disse...

1. Escrever um post, título incluído, não pressupõe que o tenha que explicar. Dou o título que quero ao que bem me apetece.
2. Se não conheces o conceito de metáfora, sugiro que trates dessa lacuna o mais rápido possível. Toma, aqui tens uma ajuda.
3. Outra pequena lição, L.casei Imunitass não são iogurtes, são bacilos.

jeenio disse...

acho um piadão que os defensores do 'não' insistam em usar argumentos de cariz económico. especialmente se o que o BE diz for verdade, que a campanha está a ser subsidiada por milionários anónimos. enfim... república das bananas, n'est-ce pas?